sexta-feira, 12 de junho de 2015

MTM Special OPS Hypertec


Como já por várias vezes tive oportunidade de esclarecer, os relógios a que aqui faço referência são simplesmente peças que correspondem a critérios de gosto pessoal – é muito raro referir algo que não me imaginasse a usar no pulso – e, claro, acessibilidade: não vejo qual o objetivo em falar de peças que estão apenas ao alcance de alguns. Prefiro fazer referências a relógios que os meus leitores efetivamente possa comprar.

Desde o início que isso significou não falar de nada que custasse mais de 1000 euros, embora tenha entretanto feito algumas exceções e criado até uma categoria ("1K+") de forma a poder referir, embora raramente, modelos "Bons, Bonitos mas Caros". O que na prática significa tudo o que custe mais de 1000 euros.

No entanto, todas estas referências são feitas "de cor", isto é, são relógios que encontro à venda e/ou algures na Internet e que, depois de fazer alguma pesquisa sobre eles, teço considerações que – espero eu! – possam ajudar os seguidores deste blogue a ficarem com uma ideia um pouco mais concreta sobre a peça em si. E, embora este blogue tenha começa no final de 2012 com um teste, a verdade é que faço muito poucos testes.

O MTM Special OPS Hypertech


De resto, até hoje, todos os testes que fiz foram de relógios da minha (muito pequena) coleção ou que tive a oportunidade de usar por um período prolongado de tempo (aqui e aqui). Este artigo é o primeiro que consiste num teste feito a um relógio que me foi enviado por uma marca, a MTM Special OPS, que mo propôs depois de ter visto uma referência que fiz a um dos seus modelos.

O modelo que me foi proposto testar é um dos mais simples e acessíveis da gama MTM, o Hypertec . Este relógio está disponível em dezenas de variantes, partindo do tamanho da caixa (40, 44 ou 49mm), acabamento exterior (aço polido, mate, PVD negro ou dourado...), mostrador (nada menos do que 15 possibilidades) e inúmeras braceletes diferentes.



Uma vez que me foi dado a escolher, enviaram-me o modelo de 44mm que podem observar nas fotos, com acabamento "sandblast" da caixa e equipado com uma bracelete tipo NATO. Nesta conjugação de dimensões e acabamento, o resultado é um relógio que considero esteticamente equilibrado e que, apesar do tamanho, "aguenta" bem no meu pulso, que é relativamente pequeno.

Qualquer que seja o tamanho e variante escolhida, todos os Hypertech podem ser obtidos a partir do website da marca e têm todos o mesmo preço de 295 dólares (acrescido de portes de envio, claro).

O que é que este valor surpreendentemente baixo compra? Na verdade, o que obtemos em troca é bastante substancial: a caixa do relógio, em qualquer das dimensões, tem resistência à água até 20 atmosferas (200 metros) e a coroa de rosca é ainda protegida por uma segunda coroa para maior garantia de estanquidade. O fundo da caixa é roscado e gravado – muito bonito, por sinal – e o mostrador é protegido por vidro mineral temperado endurecido (tipo K1) com tratamento antirreflexo – algo que raramente se encontra fora dos vidros de safira. O movimento de quartzo é o Ronda 515.24H, um três ponteiros com data e função adicional de 24 horas / segundo fuso horário (ver caixa no final do artigo).

E, por falar no que obtemos em troca, claro que não podemos deixar de notar a "dry box" – semelhante à que encontramos nalguns modelos da Vostok Europe – que inclui também ferramentas para trocar a bracelete em caso de necessidade.

Peso no pulso


Uma das razões que me leva a preferir relógios mecânicos face aos que usam movimentos de quartzo é o facto de estes últimos serem normalmente muito leves – demasiado leves para o meu gosto. Contudo, este Hypertech é uma peça de construção substancial que nem por um momento nos leva a duvidar que estamos na presença de algo over-engineered: a versão de 44mm pesa 136 gramas.

No pulso, este é um relógio cuja presença nunca deixa de se fazer sentir. No meu caso, dei por mim a tirá-lo quando estou sentado a trabalhar ao computador, algo que faço apenas com o meu cronógrafo Junkers 6218-2.

Ao contrário de outros modelos mais sofisticados do portefólio da MTM, este Hypertech está a meio caminho entre um "relógio militar" e um mais informal "companheiro de aventuras". E, no geral, o relógio agrada-me bastante. O tamanho é muito bom (na verdade, pedi que me enviassem um de 40mm, mas o de 44mm que recebi parece-me bastante equilibrado) e, pessoalmente, gosto do peso do relógio que, como digo, nunca nos lembra que lá dentro há um movimento de quartzo.

As inúmeras possibilidades de personalização sem aumento do preço são também um ponto a favor da MTM. Gosto especialmente deste, com a caixa em aço de acabamento mate e mostrador em "amarelo areia". Tenho apenas a dúvida se não seria uma boa ideia propor também, pelo menos numa ou outra versão (com caixa em PVD negro, por exemplo), uma bracelete em aço, mesmo que fosse preciso cobrar um pouco mais.

Quanto a mim, este Hypertech tem apenas um pouco negativo: o desenho do mostrador. É algo que me deixa ambivalente, porque na verdade gosto do equilíbrio entre os numerais às 12, 3 e 9 horas complementados com os indexes nas restantes posições horárias, bem como a aplicação de Superluminova nos ponteiros (mas não nos indexes). O problema tem a ver com o quarto ponteiro e a sua funcionalidade 24H/GMT bem como a escala de 24 horas.

Este ponteiro (aquele que tem uma pequena seta e que nas fotos aponta para as 14 horas) demora 24 horas a dar uma volta ao mostrador, e fá-lo apontando para uma escala secundária de 24 horas, concêntrica da escala horária principal e que aproveita as posições do indexes. Contudo, como há apenas 12 posições horárias, a escala numérica secundária é apenas assinalada com números pares. Não é grave, e estou provavelmente a ser picuinhas, mas requer alguma habituação.

Uma palavra final para o preço: os 295 dólares são, quanto a mim, uma verdadeira pechincha. Contudo, não há distribuição em Portugal e a encomenda a partir do website norte-americano acrescenta 120 dólares de custos de envio, o que é excessivo. No entanto, mesmo assim, o total ficaria por cerca de $442 (custo do relógio + impostos do Estado da Califórnia + preço do envio), ou cerca de €390 ao câmbio atual, um valor que estou longe de considerar elevado para este Hypertech. A MTM está de parabéns.

A função 24 horas / segundo fuso horário

O mais comum é encontrarmos indicadores de 24 horas num sub-mostrador. Mas aqui, o movimento  Ronda 515.24H implementa essa função através de um quarto ponteiro no mostrador principal.

A dupla função de indicador de 24 horas e de segundo fuso horário é feita simplesmente através da forma como acertarmos esse ponteiro. Se fizermos coincidir o ponteiro com o ponteiro das horas às 12H00, o que temos é uma indicação da hora no formato 00H00-24H00; à medida a que o ponteiro das horas se desloca normalmente, o ponteiro de 24 horas move-se duas vezes mais devagar e indica a hora no formato militar através da escala secundária. É o caso das fotos do artigo: o ponteiro indica 14 horas, o que coincide com o facto de pouco passar das 2 horas da tarde.

Contudo, em vez da sincronização com o ponteiro das horas, podemos também fazer o acerto avançando um número de posições de acordo com um segundo fuso horário – cuja hora, nesse caso, será indicada no formato militar.

Galeria


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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