quarta-feira, 29 de abril de 2015

Fromanteel The Generations

Fromanteel-Generations

A Fromanteel, de que já anteriormente fiz referência a um modelo, continua a produzir modelos muito bonitos e elegantes, que apelam a uma estética clássica que me agrada imenso. É o caso deste The Generations, um “três ponteiros” com dia e data às 3h00 de execução muito simples mas cuidada.

O nome do modelo é uma referência os três filhos do mestre relojoeiro neerlandês Ahasuerus Fromanteel (Abraham, Ahasuerus junior e Johannes) que, acabariam também por seguir as pisadas do pai e tornaram-se todos eles mestres relojoeiros.

Este dress watch tem uma caixa em aço com 42mm, bracelete em pele genuína e um mostrador protegido com vidro de safira cujo desenho utiliza índices nas posições horárias principais e uma discreta escala secundária de minutos/segundos –  uma conjugação que considero particularmente feliz.

O relógio ostenta a cobiçada designação “Swiss Made” graças à utilização de um movimento de quartzo Ronda 507, o que de alguma maneira levou o fabricante a considerar que pode cobrar um valor superior a €400 por este relógio – €409 para sermos mais exatos – o que, pessoalmente, me parece um pouquinho excessivo para um modelo de quartzo de uma marca sem pedigree

É que, apesar da execução de alto nível e do excelente resultado final este é um valor que se aproxima perigosamente daquilo que a Tissot cobra por um Visodate com movimento automático (que ronda os €495 em Portugal) e muito acima do que podemos encontrar em marcas como a Junkers, onde podemos encontrar peças de quartzo igualmente baseadas em movimentos Ronda por quase metade do preço.

Mas que é bonito, lá isso é. Sorriso

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sturmanskie Mars

Sturmanskie-Mars

O primeiro relógio a ir para o espaço não foi o Omega que está a pensar mas sim o Sturmanskie (“Штурманские”), que o cosmonauta russo Yuri Gagarin levou no pulso para a primeira viagem de um ser humano à volta da Terra. A marca, desde sempre em mãos russas e que acaba de ser relançada, apresenta o Mars, porta-estandarte da gama Sturmanskie para 2015.

Trata-se de um modelo que se inspira, técnica e esteticamente, nos requisitos e desafios da exploração espacial. O primeiro eixo do desenvolvimento deste relógio pode ser definido pelos “três ‘A’”: Automático, Anti-Choque e Anti-Magnético. A ideia de levar um relógio automático para o espaço pode parecer um anacronismo mas o oposto é verdade: quando tudo o resto falha, é o movimento mecânico que possibilita continuar a medir o tempo de forma precisa.

Para assegurar o movimento de um relógio que não pode parar, a Sturmanskie escolheu o fiável e provado calibre suíço ETA 2824-2. Este movimento mecânico automático mantém a reserva de marcha através de um rotor acionado com o movimento do pulso. Contudo, como na ausência de gravidade o rotor não funciona, este movimento permite também receber corda manual, o que lhe garante assim o funcionamento permanente.

Para oferecer um relógio que fosse também à prova de choque e resistente à influência de campos magnéticos, a marca russa teve de repensar a forma da caixa e, uma vez mais, inspirou-se nas glórias passadas da exploração do espaço.

Para o efeito foi criada uma caixa interior numa liga de berílio. Usado em aplicações estruturais, a combinação de características de rigidez, baixa densidade, estabilidade e condutividade térmica tornam o berílio num dos metais mais cobiçados no desenvolvimento de materiais para a indústria aeroespacial.

Esta caixa anti-magnética alberga o movimento mecânico automático e o mostrador principal do relógio. Era agora preciso encontrar uma forma de ligar este núcleo central ao resto do relógio, algo que a Sturmanskie fez inspirando-se no sistema APAS (Androgynous Peripheral Assembly System), usado pela primeira vez como mecanismo de acoplamento na Estação Espacial Internacional e no projeto “Soyuz – Apollo”.

Nesta solução, foram usadas três pontes – às 12H00, 4H00 e 8H00 – entre a caixa interior e anel exterior que inclui a coroa do relógio e as asas de suporte da bracelete, de forma que o núcleo interno parece levitar sob o efeito de gravidade zero.

A caixa exterior de 48mm de diâmetro tem um mostrador protegido por vidro de safira e oferece uma resistência à água de 10 atmosferas (100 metros). A coroa é trancada por uma alça metálica que evita o seu acionamento acidental.

O Sturmasnkie Mars está à venda em Portugal através da rede de agentes da SRI. O seu PVP sugerido é de €2.000.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

MTM Special Ops Silencer

Silver_Silencer_01
Já anteriormente falei da MTM Special Ops, uma marca com um posicionamento muito especial e relógios concebidos com funcionalidades práticas, a pensar na sobrevivência do seu utilizador – seja no contexto de missões militares ou de aventuras mais extremas..
Este Silencer é mais um excelente exemplo da filosofia da empresa. Trata-se de uma peça totalmente em aço (mas é possível encomendá-lo com bracelete em nylon ou em borracha) com uma caixa de 44,5mm e estanquidade de 10 atmosferas (100 metros) assegurada por uma coroa de rosca. A bracelete em aço pode ser ajustada facilmente através de uma chave Allen incluída.
O vidro é de safira e o bisel rotativo tem marcações para orientação geográfica que facilitam a utilização do relógio como bússola; o movimento de quartzo combina funcionalidades analógicas e digitais, como aliás é comum a vários modelos da marca, e oferece múltiplas funções, incluindo exibição de “hora militar” (00h00-24h00), cronógrafo e alarmes.
As marcações circulares às 2h00 e às 10h00 são, na verdade, LEDs de alta potência que fazem parte de um sistema proprietário que inclui não apenas a possibilidade de iluminar o mostrador para visibilidade noturna, como podem ser usados como “lanterna” ou luz de sinalização estroboscópica de emergência.
Muito provavelmente foi esta funcionalidade a responsável por outra característica única deste relógio. Uma vez que este sistema de iluminação iria consumir rapidamente uma pilha convencional, a MTM dotou o Silencer de uma bateria integrada recarregável por indução eletromagnética.
O relógio pode assim ser recarregado sem trocar de bateria ou sequer abrir o relógio. Basta colocá-lo sobre a placa de indução (incluída) e uma carga completa é suficiente para mais de 4 meses de utilização.
O preço para tudo isto é de 750 dólares, para encomendas diretamente a partir do website da empresa, um valor que não me parece excessivo face às funcionalidades e ao nível de execução oferecidos.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Timex Weekender Chrono Oversized

TW2P62200

A Timex, outra das nossas marcas B3 favoritas, tem andado atarefada a criar peças esteticamente bem interessantes, de que este modelo é um fantástico exemplo. Trata-se de um elemento da família Weekender, uma gama dentro da qual temos encontrado relógios muito bonitos.

Este modelo, um cronógrafo de quartzo com a referência TW2P62200PF, exibe um design particularmente limpo e elegante, numa execução totalmente em preto – caixa, mostrador e bracelete.

O desenho da caixa e do mostrador parece-me particularmente bem conseguido, com uma escala principal em numerais árabes de grande legibilidade, uma escala secundária de 24 horas e um bom posicionamento dos sub-mostradores do cronógrafo às 2h00 e às 10h00 com o mostrador de pequenos segundos na posição das 6h00 e janela de data às 4h00.

O preço de referência é da ordem dos 100 euros (£85) e, por este valor, a Timex oferece-nos uma caixa em latão (material usado pela marca em alternativa ao aço nos seus modelos mais baratos) com um diâmetro de 40mm, iluminação noturna Indiglo, uma bracelete contínua tipo NATO, e mostrador vidro mineral.

O acabamento em preto é sempre mais caro, uma vez que requer um tratamento químico específico do metal da caixa, e a Timex propõe três outras variantes com caixa polida por menos £5: TW2P62300PF, TW2P62400PF e TW2P62100PF.  

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Casio MRW200HB

MRW-200HB-3BV_l
Além da Timex, é entre as marcas japonesas que mais facilmente encontramos relógios B3, sobretudo quando procuramos gastar menos de €50. É claramente o caso deste interessante Casio, com a referência MRW200HB-1BV, cujo preço de referência é de apenas 30 dólares mas que se vende online por menos de $15.

E por este preço, o que temos é bastante substancial: uma movimento de quartzo numa caixa de 44,6mm em resina sintética (queriam aço por este preço, não…?) com resistência à água de 10 atmosferas (100 metros), bisel rotativo com escala de minutos/segundos, escala secundária de 24 horas e dia e data às 3H00. A bracelete é têxtil, mantendo o estilo militar o esquema de cores. Apesar de a marca não o indicar, o "vidro" do mostrador é provavelmente em matéria plástica, algo perfeitamente aceitável nesta gama de preços.

A gama MRW200HB possui um total de cinco variantes, incluindo esta, com diferentes cores de caixa, mostrador e bracelete.

É evidente que este não é um relógio para toda a vida, mas prova certamente que é possível, como tantas vezes já aqui demonstrei, que podemos facilmente adquirir relógios no mercado provenientes de marcas que sabem o que fazem, com características interessantes e uma promessa de durabilidade, por valores que podem até ser inferiores (é o caso) a relógios de plástico de marca genérica vindos sabe-se lá de onde.

À data em que escrevo estas linhas, a variante MRW200H-1BV, totalmente em preto e com bracelete em resina sintética, estava à venda na Amazon UK por apenas £12!

sábado, 18 de abril de 2015

Citizen Chrono Time A-T Limited Edition BY0103-02A

As marcas japonesas – sobretudo a Seiko e a Citizen – têm uma grande tradição em cronógrafos, nomeadamente com movimentos de quartzo. Ambas possuem literalmente dezenas de modelos e centenas de variantes entre as suas vastas gamas de modelos.

Este modelo em particular, com a referência BY0103-02A é um exemplar particularmente bem conseguido, conjugando de forma equilibrada as funcionalidades e detalhes visuais que estamos habituados a encontrar num cronógrafo com as de um elegante dress watch.

O movimento de quartzo usado é um Eco-Drive H610 (controlado por rádio, ou seja, acertado automaticamente por relógios atómicos em todo o mundo) no qual todas as funcionalidades são apresentadas de forma analógica. O calendário (dia do mês) é perpétuo até ano ano 2100.

É um relógio relativamente grande, com uma caixa em aço de 44mm de diâmetro, e uma execução de alto nível, que inclui bracelete em pele de crocodilo genuina (ou seja, não é simplesmente pele natural com padrão de crocodilo!) com fecho de borboleta, mostrador com vidro de safira, coroa de rosca e resistência à água até 20 atm (200 metros).

Existem variantes totalmente em aço, incluindo a bracelete, que são até mais baratas, mas esta é a que me agrada mais, sendo que se trata de uma edição limitada da Citizen, que indica terem sido produzidas apenas um total de2.500 unidades para todo o mundo (300 para o Reino Unido).

O preço de referência é de £599, um valor elevado para um movimento de quartzo mas que ma parece justo dado tudo aquilo que aqui é oferecido.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Seiko SNQ007 Perpetual Calendar

Seiko-SNQ007Calendário Perpétuo é aquele que muda automaticamente os dias do mês (os da semana não oferecem problemas, uma vez que têm sempre a mesma sequência) mesmo quando estes têm apenas 30 dias e, além disso, tem em consideração os anos bissextos (fevereiro com 29 dias).

Em movimentos mecânicos, esta é uma das grandes complicações mas mesmo em relógios de quartzo – especialmente nos analógicos – não é muito frequente encontrarmos esta funcionalidade e, quando tal acontece, o preço costuma subir de forma substancial.

Por ambas as razões (calendário perpétuo e preço acessível) vale a pena falarmos neste modelo da Seiko, com a referência SNQ007. Trata-se de um elegante dress watch de três ponteiros, como movimento de quartzo, caixa de 39mm, vidro mineral e bracelete em aço. A resistência à água anunciada é de 10 atmosferas (100 metros).

A data surge na posição tradicional das 3H00 e possui à já referida funcionalidade de calendário perpétuo que, neste caso (e em praticamente todos os outros) funciona sem necessidade de ajuste até ao ano 2100.

O mostrador, preto, exibe índices quer nas marcações horárias quer na escala secundária de minutos e segundos numa execução muito simples e elegante. A caixa exibe ainda um bisel com seis rebites decorativos e incorpora um poussouir às 2H00 para exibição – através do ponteiro dos segundos – do número de anos decorrido desde o último ano bissexto.

Existem mais duas variantes com diferentes cores de caixa e mostrador (mas sempre com bracelete em aço) com as referências SNQ010 (mostrador azul e destaques dourados sobre caixa prateada) e SNQ045 (caixa, mostrador e bracelete em preto e destaques dourados).

O preço de referência, por pesquisa online, ronda os 200 dólares.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Nomos Glashütte Metro


Ando já há uns tempos para escrever sobre os relógios da Nomos Glashütte, uma jovem empresa alemã que utiliza desenhos elegantes e originais e que é uma das poucas a ter criado movimentos in-house, como é o caso do calibre mecânico de corda manual que equipa este modelo que vos trago hoje: o Metro.

Trata-se de um elegante dress watch com uma caixa em aço relativamente pequena (37mm) mas com uma execução soberba que utiliza vidro de safira não apenas no mostrador mas também no fundo da caixa, para observação do movimento.

Além da simplicidade geral do desenho, a Nomos optou por criar uma escala horária cujos índices são apenas pontos e usar numerais árabes para a escala secundária de minutos/segundos. A data e os segundos descentradas surgem às 6H00 e, na posição da 1H30, surge uma pequena janela para indicar a reserva de marcha – especialmente útil tendo em consideração que este é um relógio de carga manual.

Como já referi, o calibre mecânico foi criado pela própria empresa (encontra aqui uma história mais completa) e incorpora um sistema de balanço original e patenteado.

O único problema é o preço. A Nomos não é uma marca de relógios B3 – entre o seu catálogo não encontramos modelos a menos de €1.000 – e, embora os valores pedidos não sejam estratosféricos, são efetivamente elevados. Este modelo em particular custa uns substanciais €2.680 a partir do website do fabricante

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Junkers 6218-2 Tante Ju Series


Teria uns 8 ou 9 anos quando o meu pai me ofereceu o meu primeiro relógio – um Timex mecânico. Andava com ele para todo o lado e acabei por o destruir quando o levei para a praia e, acidentalmente (a sério), levei com uma onda em cima e o pobre do relógio começou a ganhar humidade por dentro do vidro do mostrador, até que deixou de funcionar.

O segundo e último relógio que recebi era igualmente mecânico, mas já não me deixou uma impressão tão duradoura. Nem me lembro da marca. Mas sei que era pouco preciso, do género de adiantar (ou seria atrasar?) vários minutos por dia.

Lembro-me também de quando vi o primeiro relógio de quartzo. Foi em meados dos anos 70, no pulso de um amigo meu. Estávamos nos primórdios da tecnologia e os ecrãs LCD ainda não tinham chegado – nem as relógios, nem às calculadoras. Os ecrãs funcionavam com LEDs e consumiam bastante energia (as pilhas da altura também não seriam grande coisa...), pelo que a solução passava por estarem sempre apagados; para vermos as horas, pressionávamos um botão que, durante breves momentos, exibia a hora.

Na verdade, sempre gostei de relógios desde que me lembro, mas a maioria dos que adquiri enquanto adulto foram sempre de quartzo – digitais e analógicos. Foi só muito recentemente que voltei a adquirir o gosto pela relojoaria mecânica mas, quando isso aconteceu, descobri que tinha gostos caros: de forma recorrente, passei a cobiçar máquinas que tinham uma coisa em comum: o movimento cronógrafo automático ETA 7750, a.k.a. "Valjoux", com dia e data às 3h00.

Uma enorme percentagem dos cronógrafos mecânicos do mercado são efetivamente baseados neste movimento (ou no seu clone suíço, o Sellita SW400), mas não é fácil encontrar modelos abaixo dos 1.000 euros. E, quando isso acontece, é porque estamos na presença de marcas de menor prestígio e/ou de execuções de menor qualidade.

Ora dar um milhar de euros por um relógio de pulso não é propriamente algo que alguém como eu faça com ligeireza... Afinal, por alguma razão criei um blog cujo tema são "relógios Bons, Bonitos e Baratos"! No entanto, um conjunto irrepetível de circunstâncias permitiu-me, no final do ano passado, adquirir um Junkers 6218-2 (na foto).

Trata-se de um relógio que é ainda possível comprar online por valores entre €900 e €1.200 mas que já foi entretanto substituído por um outro modelo da marca, o Junkers 6818-2, muito semelhante à primeira vista mas com algumas diferenças subtis.

Um 7750 no dia-a-dia


Inicialmente, tinha várias dúvidas sobre a utilização diária do Junkers 6218-2. Isto porque um dos relógios que costumava usar com mais frequência era um cronógrafo de quartzo Tissot PRC200 (igualzinho a este). É um relógio com caixa de 40mm e sempre me habituei a considerar esta dimensão como o máximo que o pulso relativamente pequeno "suportaria". E este Junkers tem 42 mm de diâmetro (dimensão comum entre os relógios com o ETA 7750). Mais dúvidas: a caixa não seria muito alta? E o peso do relógio não seria demasiado grande para uma utilização diária constante?

Felizmente, a resposta a todas estas dúvidas foi a de um rotundo "não"; este é um relógio que me habituei a usar em praticamente qualquer circunstância, mesmo depois das primeiras semanas em que não nos cansamos de olhar para o pulso e admirar a nossa nova aquisição. As dimensões parecem-me perfeitas (42mm passou a ser o novo "máximo" para mim – até que descubra que posso ir mais além, claro!) e o relógio não é demasiado pesado, apesar das minhas reservas em contrário.

Outra coisa que me agrada neste relógio é que não é apenas "mais um" ETA 7750. Esteticamente, é um relógio interessante, a começar logo pelo mostrador. A série Tante Ju vai buscar inspiração diretamente à fuselagem dos aviões Junkers JU52, que usavam chapas em alumínio ondulado: o mostrador dos relógios da série utiliza o mesmo padrão (não é apenas ilusão de ótica, existe efetivamente uma ondulação!), o que lhes dá um "look" muito característico.

O desenho do mostrador é também bastante feliz, com alguns pormenores que, para mim, fazem toda a diferença, como é o caso de terem sido mantidos todos os numerais, mesmo os das posições 12, 3, 6 e 9, que em muitos casos desaparecem para dar lugar à janela de data e aos sub-mostradores.

A execução do relógio é toda de elevado nível. O mostrador está perfeitamente alinhado com os ponteiros (ficarão surpreendidos ao descobrir a quantidade de vezes que isto não sucede, mesmo em relógios muito mais caros) e a escolha da coroa parece-me particularmente boa, tendo a marca optado por dotar este modelo de uma coroa de grande diâmetro e espessura reduzida, que além de bonita é muito confortável de usar (não "morde" o pulso em utilização normal).

Ainda uma nota para o mostrador: a aplicação de material luminescente (Superluminova) nos numerais e ponteiros permitem uma perfeita visibilidade à noite, de tal forma que é ao Junkers que recorro durante a noite para ver as horas, sem ter de acender a luz no quarto.

O vidro, de safira, é montado à face do mostrador, perfeitamente alinhado com o bisel. A marca usou um fundo em vidro para observação do movimento. Este será talvez o aspeto menos feliz da execução e a minha única crítica a todo o relógio: a Junkers limitou-se a gravar o seu nome no rotor, o qual não possui qualquer tipo de decoração. Mas, por este preço, havia que cortar custos nalgum lado...

Este modelo em particular é vendido com uma pulseira de pele com uma fivela simples (outra concessão ao preço), mas existe também a possibilidade de encomendar uma bracelete em aço, algo que provavelmente farei no futuro, até porque transforma totalmente o relógio.

As primeiras semanas de utilização do relógio revelaram que adiantava bastante mas, passado algum tempo, e antes que eu tivesse a oportunidade de pedir a sua regulação, o movimento estabilizou e mantém uma precisão que é o espectável para um relógio mecânico automático.

O único problema que sinto agora é que o Junkers 6218-2 me "estragou" para outros relógios: sempre que lhe dou um pouco de descanso e coloco no pulso outro relógio, fico sempre a achar que falta ali qualquer coisa. Mas é claro que esta não é uma máquina para todas as ocasiões – com uma resistência à água de apenas 5 atmosferas, não é algo que eu levaria para a praia ou acampar e não é certamente a peça certa para um evento social mais formal (não que eu vá a muitos!).

Mas, ao contrário do que sucedeu com uma outra compra que fiz, não só correspondeu em absoluto às expetativas como as ultrapassou. Agora, é começar a pensar na próxima aquisição.

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Nota: a foto que ilustra este post não é do meu relógio, mas sim de um igual, que encontrei aqui, onde também podem ser observadas muitas mais imagens. Há duas diferenças entre o relógio dessas imagens e o meu: a inscrição "Junkers" no rotor e o facto de a data no meu estar em inglês e não em alemão.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Christopher Ward C7 Rapide Chronometer


Quando é que um cronógrafo é também um cronómetro? Quando é um cronógrafo com certificação cronográfica, claro!*, como acontece neste Christopher Ward C7 Rapide Chronometer.

Baseado num movimento suíço de quartzo com 27 rubis ETA 251.264 COSC termo-compensado. A compensação térmica é crucial para aumentar a precisão dos movimentos de quartzo, uma vez que as variações térmicas são o maior responsável pelas alterações na frequência de vibração dos cristais de quartzo. Essa é a razão pela qual os relógios (de quartzo) dos automóveis são tão pouco precisos, por exemplo...

Além da certificação COSC que garante a este relógio a precisão de um cronómetro, a Christopher Ward não deixou créditos por mãos alheias no resto da execução, que é de alto nível, incluindo mostrador com vidro de safira, coroa de rosca e resistência à água de 10 atmosferas (100 metros).

Apostando claramente na faceta desportiva que normalmente atribuímos a um cronógrafo, a marca dotou o mostrador de uma escala de minutos com grandes numerais árabes, a que foi adicionado um bisel com escala taquimétrica.

O relógio é ainda não está disponível – está em fase de pré-encomenda para entrega em Abril. Existem três variantes: C7-42-COSC-390-SKRK (na foto), com bracelete em pele; C7-42-COSC-390-SKSi, com bracelete em borracha (ambas ao mesmo preço, de £599); e C7-42-COSC-390-SKS, com bracelete em aço e um preço um pouco mais elevado, de £650.


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* Confusos? Então nada como recordar a matéria dada, aqui

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Torgoen Harrier T33402

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A Torgoen tornou-se uma das minhas marcas favoritas depois de nela ter tropeçado no ano passado. A marca produz relógios com uma boa relação qualidade/preço baseados em movimentos de quartzo suíços Ronda. Um dos aspetos que mais me agrada nos relógios da Torgoen é o facto de a marca criar desenhos onde tenta afastar-se de tudo aquilo que os seus concorrentes fazem, propondo alternativas esteticamente interessantes.

É claramente o caso deste Harrier T33402 baseado num movimento cronógrafo Ronda 3520.D. A marca partiu do tradicional mostrador “B Type” dos relógios de piloto alemães da Segunda Guerra Mundial (em rigor, dos relógios usados pelos navegadores), em que a escala principal é a dos minutos, para oferecer um relógio que é decididamente original.

A partir de um mostrador de grande visibilidade e fundo creme, a Torgoen integrou de forma harmoniosa os sub-mostradores do cronógrafo: às 12h00 temos um duplo contador de 30 minutos/12 horas e às 6h00 o mostrador de pequenos segundos. O aspeto militar à reforçado pela utilização, nesta variante, de uma bracelete têxtil (nylon).

A caixa, relativamente grande (45mm), é em aço 316L, com fundo roscado, e apresenta uma resistência à água de 10 atmosferas (100 metros). Os índices e ponteiros têm tratamento luminescente para visibilidade no escuro e o vidro do mostrador é mineral endurecido (K1).

O preço de referência, diretamente a partir do website da marca, é de 468 dólares – cerca de 450 euros ao câmbio atual. A gama Harrier possui várias outras variantes com diferentes braceletes, fundos de mostrador e caixas.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Steinhart Ocean One Vintage Military


Agora que o calor parece ter regressado, vale a pena voltarmos a falar de uma categoria que tem um lugar no coração de qualquer entusiasta: o relógio de mergulho. Apesar dos milhares de modelos disponíveis - e alguns deles realmente originais - temos de admitir que uma parte substancial dos "diver watches" que vemos nas montras têm uma estética que oscila entre a cópia descarada e o tributo (a chamada homage) ao pioneiro Rolex Submariner.

O facto não é mau em si mesmo, uma vez que encontramos no mercado muitos modelos que, mesmo piscando o olho ao Rolex, oferecem uma estética suficientemente diferente para terem um valor intrínseco e não desprestigiarem o pulso de que o usa (sendo que é também possível encontrar relógios de mergulho que seguiram uma via estética completamente diferente).

A alemã Steinhart é uma das marcas que aprecio e que, sendo original em muitas das suas criações, possui imensos modelos que são claramente tributos aos relógios pioneiros de grandes marcas, tão emblemáticos que criaram por si só um novo estilo e/ou categoria.

O Steinhart Ocean One Vintage Military pertence à categoria dos relógios homage, neste caso ao já referido Submariner da Rolex. Ao contrário das réplicas ou contrafações, os relógios que pretendem homenagear os modelos de referência que lhes servem de base trilham uma linha nem sempre fácil: incorporam no seu desenho os elementos mais emblemáticos do produto de referência mas, em vez de tentarem fazer passar gato por lebre, assumem uma (re)interpretação própria capaz de resultar numa peça que tenha valor por si mesma.

Salvo melhor opinião, penso que é claramente o que a Steinhart tentou - e conseguiu - fazer aqui. Na sua reinterpretação, a marca alemã alterou ligeiramente as proporções do relógio. A relação entre o tamanho do mostrador e a largura da luneta (bisel) rotativa é claramente diferente aqui, com uma luneta mais estreita e uma caixa um pouco maior do que a do Submariner atual (42mm, contra 40mm); o movimento ETA 2824-2 é usado neste modelo sem a funcionalidade de data; e os ponteiros têm um formato mais convencional e dispensam o formato emblemático usado pela Rolex.

O resto da execução é excelente, com a caixa a resistir às mesmas 30 atmosferas (300 metros) do Rolex, coroa de rosca e um mostrador protegido por vidro de safira com tratamento anti-reflexo. O resultado, aos meus olhos, é um relógio particularmente bonito e equilibrado.

Reconheço que sou um pouco snob em termos de relógios (não usaria uma contrafação no pulso...) mas gosto ainda mais de bons negócios, pelo que se me dessem a escolher entre o Rolex Submariner e este Steinhart, teria poucas dúvidas em optar pelo relógio alemão... especialmente porque custa apenas €320 + IVA!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Roamer Searock Automatic


Tal como acontece com uma boa parte das marcas tradicionais suíças, também a Roamer tem uma história longa e atribulada. Nascida em 1888, a marca foi evoluindo ao longo do século XX até que, em 1972, lança o seu primeiro relógio de quartzo... A cronologia da própria empresa mostra que houve um hiato entre essa data e 2003, quando a Roamer retoma a produção de relógios baseados em movimentos mecânicos.

Para sabermos o que aconteceu durante esse período temos de recorrer a websites externos (nem a página na Wikipedia nos dá pistas...) onde descobrimos que a marca não resistiu ao embate do quartzo: a produção cessou em 1975 e, em 1985, a empresa seria vendida e integrada no grupo chinês Chung Nang.

No entanto, ao contrário do que sucedeu com muitas marcas helvéticas, a Roamer parece nunca ter pedido a sua independência e manteve-se sempre em funcionamento na Suíça.
Em 2003 dá-se o reboot definitivo da marca, com o lançamento de novos relógios mecânicos.

Este modelo que vos trago hoje chama-se Searock Automatic e trata-se de um elegante relógio automático com data. O relógio é "Swiss Made" mas a marca não indica qual o movimento usado.

O resto da execução é de alto nível: caixa e bracelete em aço inoxidável, mostrador de 42 mm de diâmetro, vidro de safira com revestimento anti-reflexo, fundo igualmente em vidro e coroa de rosca que garante uma efetiva estanquidade de 10 atmosferas (100 metros).

O preço, para um relógio suíço automático com este nível de execução não me parece excessivo: cerca de €600 por pesquisa online.