quarta-feira, 15 de maio de 2013

Comparação entre movimentos suíços e chineses

IMG_9031-1024x768Em 2005 fui convidado por uma marca de eletrónica de consumo japonesa a visitar uma das suas fábricas na China. A visita, que incluiu também uma passagem pelo Japão, foi muito esclarecedora no sentido de perceber que “Made in China” não significa sempre o mesmo.
Há fábricas chinesas que fabricam produtos sem marca (e sem grandes preocupações de qualidade) e que depois vendem para marcas ocidentais que se limitam a colocar etiquetas com os seus logótipos; há fábricas chinesas que fabricam projetos ocidentais sob encomenda e que são obrigadas pelas marcas que as contratam a (mais ou menos) rigorosos controlos de qualidade; há empresas chinesas que apostam na sua própria marca e qualidade dos seus produtos; e há empresas ocidentais e japonesas que se limitam a usar o território chinês para lá construir uma fábrica, tirando partido dos baixos custos da mão-de-obra mas retendo todo o controlo sobre as instalações, produção, qualidade, etc.
É por isso que falarmos de um “movimento chinês” não é necessariamente uma coisa má. Contudo, enquanto que relativamente a um “movimento suíço” temos uma garantia de qualidade, no que diz respeito à proveniência chinesa essa garantia não existe – a qualidade pode estar lá, mas dificilmente o saberemos.
Vem isto a propósito de um interessante artigo que li aqui e que compara o popular movimento suíço ETA 2824-2 com dois clones de origem chinesa: um Sea-Gull ST2130 e um Peacock SL3000.
A conclusão do autor, que desmontou todos os movimentos e os analisou ao microscópio (literalmente) é a de que os movimentos chineses até funcionam bem – não fossem eles cópias conformes a um dos movimentos suíços mais usados do mundo. O problema, como quase sempre acontece, está nos detalhes: nos movimentos chineses encontrou fibras e lascas de pele – o que indica terem sido montados à mão num ambiente de atmosfera não controlada –, marcas de chaves de parafusos que resvalaram, óleo mal aplicado e até pedaços de material remanescente do processo de produção.
Segundo o autor, em circunstâncias normais (isto é, se houvesse controlo de qualidade, que aparentemente não há) pelo menos um dos movimentos analisados nunca teria visto a luz do dia e seria deitado para o lixo. Mas é precisamente o facto de ter chegado ao canal de comercialização que faz a diferença e que nos alerta para os perigos e problemas de adquirir um relógio baseado num movimento chinês: quando as coisas correm mal, correm mesmo muito mal.
É um artigo a ter em conta para se perceber porque é que um ETA custa cerca de 5 vezes mais do que um movimento clonado feito algures no Extremo Oriente.

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