sábado, 2 de fevereiro de 2013

Preço vs. Valor: o que é afinal “bom, bonito e barato”?

IWC vs Steinhart
No mundo da alta fidelidade utiliza-se frequentemente um termo para designar um fenómeno que pode igualmente ser usado noutros mundos, como o dos automóveis ou o da relojoaria: “The Law of the Diminshing Returns”.
A ideia (aplicada neste contexto) é simples: a partir de um certo ponto, o custo de acrescentar apenas valor incremental a um produto, encarece esse mesmo produto de forma exponencial. Na alta fidelidade isso significa que podemos obter um bom gira-discos por 500 euros mas, se quisermos ir mais além na escala da qualidade, teremos de gastar várias vezes mais esse valor. Ou seja, se considerarmos que 500 euros compra um equipamento capaz de uma qualidade de reprodução de 75% do total possível, teremos de gastar muito (mas mesmo muito) mais para conseguir os restantes 25% – é fácil gastar algumas dezenas, ou até centenas, de milhar de euros num gira-discos…
Para algumas pessoas, o custo desses restantes 25% compensam os resultados. Para outras, o contrário não podia ser mais verdadeiro. O mesmo raciocínio pode ser encontrado no mundo automóvel. Um Bugatti Veyron de 1 milhão de euros vale 10 vezes mais do que um Nissan GT-R de 100.000 euros? E este vale 10 vezes mais do que um Nissan Micra de 10.000 euros? Uma vez mais, depende de quem responde à pergunta.
O que nos leva ao mundo dos relógios. Tenho amigos com IWC e Breitling de milhares de euros no pulso, e outros que acham que os menos de 300 euros que paguei por um Seiko automático é várias vezes superior ao que consideram ser razoável dar por um relógio – e até mesmo os que dizem que não usam relógios porque o telemóvel serve perfeitamente.
Claro que há inúmeros factores que encarecem um relógio. Se a caixa é de platina e diamantes, o movimento até pode ser de quartzo, que o resultado nunca será barato. E numa caixa de aço, um movimento mecânico que demora um ano a montar por um artífice especializado terá sempre de custar muito dinheiro.
Para mim, já é mais difícil (mas não impossível, reconheço) justificar valor quando se usam movimentos idênticos (mas não iguais) em relógios com preços díspares, como o exemplo na foto que ilustra este artigo: em ambos os casos é usado um Valjoux 7750.
Tudo isto começou por causa de um interessante artigo que li aqui e que discute precisamente o valor e o preço dos relógios. A conclusão é que esses são conceitos que variam consoante as pessoas, algo com que naturalmente concordo. O que para mim é “bom, bonito e barato” para outros é ridiculamente caro ou, pelo contrário, demasiado barato para ser levado a sério.
E para si? O que é “B3”?

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